AS "BLOGUICES" DAS AVENTUREIRAS - MARTA * BÁRBARA * DIANA - Esta página é um local de encontro entre pessoas que sentem a solidariedade! Este espaço representa um conjunto de sonhos que se estão a concretizar, com muita força e querer. São pequenos grandes gestos que fazem a diferença se o coração quiser... Estas três jovens, sem propaganda, quiseram e estão a provar que este Mundo poderá ser mais solidário!!!... Que todas as Nossas palavras se transformem em acções!...

sexta-feira, 9 de março de 2007

Para a família, amigos e amigas que sempre deram apoio e muita força para a concretização deste meu projecto.
Já passou um mês e pouco, e tem sido uma experiência de crescimento pessoal bastante intensa e gratificante. É uma realidade muito diferente, demasiado diferente. No entanto, as pessoas daqui, fazem-nos sentir muito bem acolhidas e aceites, tornando a adaptação e integração muito fácil.

“HOYO HOYO!” como se diz aqui no dialecto, que quer dizer bem-vindo.

Em relação ao trabalho que estamos a fazer, começamos esta semana a fazer os inquéritos para o nosso trabalho de investigação. O trabalho tem como finalidade fazer um levantamento das necessidades e desejos das mulheres aqui do bairro das Mahotas. As necessidades são mais que muitas, os desejos são de uma simplicidade extrema. É complicado, muito difícil entrar na casa das pessoas, casas em que só há uma sala e um quarto, onde habitam 8 pessoas e perguntar quais são as necessidades. Em relação aos desejos, estes passam por ter uma casa de banho com latrina, ter cadeiras ou mesmo ter mais uma cama...

A música faz parte da atmosfera daqui, invadindo as ruas de areia! As pessoas têm um sorriso nos lábios, encarando com muita força e esperança a vida que chega todas as manhãs sob este sol escaldante, vivendo o dia de hoje….o ontem já passou por isso já não importa e o amanhã ainda não chegou….há-de vir!

Por mais que queira transmitir e descrever o quê e como se vive aqui, é difícil fazê-lo por palavras. Só posso dizer que estou feliz e vou fazer o meu melhor, com muito amor e dedicação.

OBRIGADA minha família e amigos adorados!
Muitos beijos
Di

Olá meus amores!!
È muito bom vir aqui e ter noticias vossas, saber e sentir que mesmo afastados por milhares de quilómetros “estamos juntos!”
Mais uma vez quero agradecer-vos por toda a força e energia que me transmitem, é graças a vocês que estou a ter esta oportunidade e a viver esta experiência única! Kanimambo!
Por aqui continua tudo a correr bem, ao seu ritmo do “há-de vir” mas aqui as coisas ganham outra dimensão e o que para nós, aparentemente, pode parecer pouco já significa muito!
È das pequenas coisas que se fazem com amor que nascem as grandes mudanças em que, como sabem, eu acredito! Espero poder dar uma ínfima parte do meu contributo no sentido dessa evolução da raça humana!
Mil beijos para todos, estão sempre comigo
Babi

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A todos os que têm passado por este blog um enorme obrigada! Como se diz no dialecto daqui, que é ronga, KANIMAMBO!!!
Deixo-vos aqui umas palavras sobre o que nos rodeia.

As Mahotas, é um dos bairros periféricos da cidade de Maputo (fica a 15 km da cidade), mas ao contrário do que se pensa que é um bairro periférico, isto é muito diferente. Não sei se conseguirei explicar exactamente como isto é, mas todas as imagens que vemos nas nossas tv’s correspondem à realidade. Casas muito humildes com pouco mais que duas divisões (cozinha, sala) onde habitam em média 6 a 9 pessoas que é a composição da maior parte dos agregados familiares. As ruas, essas são de areia e terra, o alcatrão é algo que está muito longe, e para ser sincera enquanto houver areia e terra esta gente vai caminhando, quando chegar o alcatrão o chão aquecerá demais e os pés não aguentaram (isto para dizer que a maior parte das pessoas, principalmente as crianças, andam descalças).

O trabalho no centro social está a ser um desfio constante. Todos os dias pensamos em estratégias e formas de conseguirmos transmitir a informação de maneira a que eles entendam. Programamos, planeamos, e todos os dias alteramos...enfim com dedicação tudo se irá conseguir.
De qualquer maneira é muito bom quando vemos no olhar das as pessoas tanta simplicidade.

As diferenças aqui são enormes, a miséria é o quotidiano, a fome essa faz parte do dia-a-dia e os projectos, o pensar num futuro não faz muito sentido para estas pessoas.
Começámos esta semana a fazer com mais frequência os questionários para a nossa investigação e do que pudemos perceber, pelas respostas das pessoas e do que sentimos é que nada ambicionam.
Mas como é que esta gente pode pensar num futuro com condições condignas sem terem as suas necessidades básicas satisfeitas?
Quando questionamos as pessoas acerca do que gostariam de mudar nas suas vidas elas simplesmente respondem que gostariam de ter uma casa maior (pois a maior parte são de duas divisões para uma média de 8 pessoas por agregado familiar) e uma casa de banho com “latrina”, nem sequer pensam em ter uma casa de banho com sanita, chuveiro, lavatório (talvez nem nunca viram nenhuma!!!).
Enfim esta é a realidade, mas apesar desta pobreza as pessoas são muito dadas, acolhedoras e recebem-nos muito bem.

O quotidiano desta gente é realmente algo que qualquer um de nós dificilmente se vai adaptando. Todos os dias penso na melhor maneira de poder compreender esta dinâmica tão diferente da minha realidade.

Muito importante para nós é a companhia das “nossas crianças!!!!”
Estes miúdos passam todos os seus momentos livres aqui connosco. A sensação é boa, pois muitas vezes é para eles que olho e para os seus sorrisos para me reconfortar desta distância.
São miúdos que vivem intensamente esta vinda e volta das voluntárias! Eles gostam de nós mesmo antes de nos conhecerem, querem estar ao pé nós, de conversar, inventam coisas para sair connosco...
A eles também os vamos ajudando na escola, sempre que precisam nós damos umas explicações das matérias. (achamos que eles inventam que querem explicações como pretexto para estarem connosco).

Isto preenche, isto emociona, isto faz parte da vida de qualquer um que por cá passe.

Passou um mês e pouco, mas amigos tenho vos a dizer q mais lindo que esta simplicidade de vida é difícil de encontrar....
Aqui é ver em todos os cantos e recantos a possibilidade de se viver com muito pouco e ter a música, a dança, a festa ...dentro de si.

A todos um muito obrigada!
Um muito Obrigada aos meus país por estarem sempre comigo e me terem proporcionado esta experiência.
Obrigada aos meus quatro avós por que sei que estão sempre a torcer por mim. Ao meu irmão pelas palavras bonitas que me enviou.
Ao Marco por me apoiar e nunca me fazer desistir das coisas em que acredito.
A todos os meus amigos pois também fazem parte da pessoa que sou.
Á Irmã Deolinda por ter acreditado e confiado em nós, apesar das nossas diferenças.
Um Kanimanbo à “mana” Bárbara e à “mana” Diana por estarmos a partilhar este momento juntas, por saber que isto nos vai unir para sempre nas nossas vidas.

Beijos grandes para todos!!! E como não podia deixar de ser...”ESTAMOS JUNTOS”!!!!Sempre.
Marta!