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A todos os que têm passado por este blog um enorme obrigada! Como se diz no dialecto daqui, que é ronga, KANIMAMBO!!!
Deixo-vos aqui umas palavras sobre o que nos rodeia.
As Mahotas, é um dos bairros periféricos da cidade de Maputo (fica a 15 km da cidade), mas ao contrário do que se pensa que é um bairro periférico, isto é muito diferente. Não sei se conseguirei explicar exactamente como isto é, mas todas as imagens que vemos nas nossas tv’s correspondem à realidade. Casas muito humildes com pouco mais que duas divisões (cozinha, sala) onde habitam em média 6 a 9 pessoas que é a composição da maior parte dos agregados familiares. As ruas, essas são de areia e terra, o alcatrão é algo que está muito longe, e para ser sincera enquanto houver areia e terra esta gente vai caminhando, quando chegar o alcatrão o chão aquecerá demais e os pés não aguentaram (isto para dizer que a maior parte das pessoas, principalmente as crianças, andam descalças).
O trabalho no centro social está a ser um desfio constante. Todos os dias pensamos em estratégias e formas de conseguirmos transmitir a informação de maneira a que eles entendam. Programamos, planeamos, e todos os dias alteramos...enfim com dedicação tudo se irá conseguir.
De qualquer maneira é muito bom quando vemos no olhar das as pessoas tanta simplicidade.
As diferenças aqui são enormes, a miséria é o quotidiano, a fome essa faz parte do dia-a-dia e os projectos, o pensar num futuro não faz muito sentido para estas pessoas.
Começámos esta semana a fazer com mais frequência os questionários para a nossa investigação e do que pudemos perceber, pelas respostas das pessoas e do que sentimos é que nada ambicionam.
Mas como é que esta gente pode pensar num futuro com condições condignas sem terem as suas necessidades básicas satisfeitas?
Quando questionamos as pessoas acerca do que gostariam de mudar nas suas vidas elas simplesmente respondem que gostariam de ter uma casa maior (pois a maior parte são de duas divisões para uma média de 8 pessoas por agregado familiar) e uma casa de banho com “latrina”, nem sequer pensam em ter uma casa de banho com sanita, chuveiro, lavatório (talvez nem nunca viram nenhuma!!!).
Enfim esta é a realidade, mas apesar desta pobreza as pessoas são muito dadas, acolhedoras e recebem-nos muito bem.
O quotidiano desta gente é realmente algo que qualquer um de nós dificilmente se vai adaptando. Todos os dias penso na melhor maneira de poder compreender esta dinâmica tão diferente da minha realidade.
Muito importante para nós é a companhia das “nossas crianças!!!!”
Estes miúdos passam todos os seus momentos livres aqui connosco. A sensação é boa, pois muitas vezes é para eles que olho e para os seus sorrisos para me reconfortar desta distância.
São miúdos que vivem intensamente esta vinda e volta das voluntárias! Eles gostam de nós mesmo antes de nos conhecerem, querem estar ao pé nós, de conversar, inventam coisas para sair connosco...
A eles também os vamos ajudando na escola, sempre que precisam nós damos umas explicações das matérias. (achamos que eles inventam que querem explicações como pretexto para estarem connosco).
Isto preenche, isto emociona, isto faz parte da vida de qualquer um que por cá passe.
Passou um mês e pouco, mas amigos tenho vos a dizer q mais lindo que esta simplicidade de vida é difícil de encontrar....
Aqui é ver em todos os cantos e recantos a possibilidade de se viver com muito pouco e ter a música, a dança, a festa ...dentro de si.
A todos um muito obrigada!
Um muito Obrigada aos meus país por estarem sempre comigo e me terem proporcionado esta experiência.
Obrigada aos meus quatro avós por que sei que estão sempre a torcer por mim. Ao meu irmão pelas palavras bonitas que me enviou.
Ao Marco por me apoiar e nunca me fazer desistir das coisas em que acredito.
A todos os meus amigos pois também fazem parte da pessoa que sou.
Á Irmã Deolinda por ter acreditado e confiado em nós, apesar das nossas diferenças.
Um Kanimanbo à “mana” Bárbara e à “mana” Diana por estarmos a partilhar este momento juntas, por saber que isto nos vai unir para sempre nas nossas vidas.
Beijos grandes para todos!!! E como não podia deixar de ser...”ESTAMOS JUNTOS”!!!!Sempre.
Marta!

4 comentários:
Olá Marta,
Emocionei-me ao ler a tua mensagem e fico muito feliz por saber que a Bárbara tem uma amiga e companheira como tu e a Diana, além disso escreves muito bem!
Continuem com toda essa força, energia e dedicação e nós por cá cada vez mais orgulhosos de vocês!
ESTAMOS JUNTOS, beijinhos.
m.m. (mãe da Bárbara)
Finalmente arranjei coragem para escrever algumas palavras. A razão de ser só agora, na verdade é porque fico constrangida achando que tudo o que possa dizer terá muito pouco significado perante tanta generosidade e Amor pelo próximo.
Este teu relato minha filha... é simplesmente deslumbrante.
Estou muito orgulhosa de ti e KANIMAMBO por seres a pessoa que és.
Tua mãe
Marta, tb me emocionei ao ler as tuas palavras.Consegues transmitir-nos a dura realidade dessa terra. Por instantes dei por mim a navegar, a tentar imaginar o dia a dia dessas pessoas e penso que n consigo ter exactamente a precisão de tanta pobreza. Deve ser mesmo mt dificil voçês depararem-se c/ tantas diferenças.
Nós c/tanto... e tanta gente c/ tão pouco......
Continuem a presentear diariamente às "v/crianças" os v/sorrisos,o v/ amor e a v/ coragem e acreditem que cada momento que passa estão a fazer alguém feliz.
Mts beijinhos da tia: Cristina
Martita, minha filha, continua a escrever dessa forma tudo o que possas sobre esta tua grandiosa participação por essas terras de Moçambique. Eu sei que irás conseguir alcançar os objectivos para os quais te propuseste, pois sei que tu és esforçada,trabalhadora,persistente e acima de tudo acreditas em tudo o que fazes. Vai em frente, sempre com um sorriso nos lábios e, se for necessário, eu estarei sempre aqui!!!
Não é demais dizer que todos por cá estamos muito orgulhosos pela tua sensibilidade e determinação ao lado das tuas amigas.
Beijinhos e "ESTAMOS JUNTOS", Sempre.
Pai
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